domingo, 26 de agosto de 2012

Canindé mantém viva a tradição do folclore


CULTURA
Uma das apresentações que mais chamou a atenção, de cerca de três mil pessoas, foi a "Araras Kanindés"
O evento homenageou pessoas e grupos que moldaram a cultura popular fotos: Antº Carlos Alves
Canindé Uma instituição de ensino no Sertão do Ceará ainda mantém viva a tradição da cultura popular. Todos os anos, o Colégio Menino Jesus, localizado em Canindé, celebra o Dia do Folclore para homenagear várias pessoas, grupos e etnias que moldaram a nossa cultura e, que, mesmo sem grandes incentivos financeiros, sobrevive graças a ações dessa natureza.

Quem participa do maior evento cultural do Sertão Central diz com segurança que "é uma festa de tirar o chapéu", pela sua grandeza, respeitabilidade e fidelidade aos artistas que formam diversas categorias do apreço popular.

"Conhecer as nossas tradições, as nossas crendices populares e conhecer nossas origens é fazer folclore", observa Romeu Rocha de Oliveira, diretor do Colégio Menino Jesus e defensor da cultura no Ceará.

Conhecendo e valorizando a pluralidade do patrimônio sócio cultural brasileiro, identificando as diversidades e os elementos interativos entre eles, podemos compreender a cidadania como participação social e adotar atitudes de cooperação e respeito às diferenças étnicas.

"O folclore no Brasil é riquíssimo. Toda essa variedade cultural contribuiu diretamente para a manifestação de um povo versátil e alegre e para a formação de um Brasil brasileiro", ressalta Joane Laurênio de Oliveira, que também está à frente da direção do colégio. Durante a festa, foram lembradas figuras ilustres como Monteiro Lobato, um escritor que fez de seu texto uma viagem ao passado e ao presente no Sítio do Pica-Pau Amarelo. As representações das etnias de norte ao sul do Brasil, e danças apresentadas pelas crianças fizeram a diferença no evento.

Público
Uma das apresentações que mais chamou a atenção de um público estimado em três mil pessoas, na Quadra Paroquial, foi um grupo de alunas do Ensino Fundamental que encenaram a história das "Araras Kanindés".

O nome Kanindés é uma referência ao nome das araras que povoaram a região no período da nossa colonização e que, em língua indígena, significa "barulho". Por isso, o grupo Kanindés apresentado pela escola trouxe o som silvestre das araras e a beleza da adolescência.

A palavra folclore surgiu a partir de dois vocábulos saxônicos antigos. "Folk´´ em inglês significa povo, e "Lore´´ conhecimento. Assim, a junção das duas palavras pode ser compreendida como "conhecimento popular". O termo foi criado por William John Thoms, que nasceu no ano de 1803 e faleceu em 1885. Tratava-se de um pesquisador da cultura europeia que, no dia 22 de agosto de 1846, publicou um artigo intitulado "Folk - Lore".

No Brasil, após a reforma ortográfica de 1934, que eliminou a letra "k", a palavra perdeu também o hífen e tornou-se "folclore". No Brasil, a data foi criada no dia 22 de agosto de 1965, por meio de um decreto federal.

"Folclore é um conjunto de todas as tradições, lendas e crenças de um país. O folclore pode ser percebido na alimentação, na linguagem, artesanato, religiosidade e vestimentas de uma nação. Segundo a Carta do Folclore Brasileiro, em 1951, pelo I Congresso Brasileiro de Folclore, constituem fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular ou pela imitação", explica Romeu Rocha.

Fortalecimento
Segundo ele, o folclore é o modo que um povo tem para compreender o mundo em que vive. Conhecendo o folclore de um país, podemos compreender o seu povo e, ao mesmo tempo, conhecer a sua história.

Mas, para que certo costume seja realmente considerado folclore, dizem os estudiosos que é preciso que este seja praticado por um grande número de pessoas, e que também tenha origem anônima", frisa o diretor do Colégio Menino Jesus.

Para as pessoas que ajudam a fortalecer a cultura popular do Município de Canindé, o dia do folclore expressa a importância que as categorias existentes na região sejam lembradas, valorizadas e preservadas.

"Vejo a festa como um grande incentivo para aquelas pessoas que estão começando a fazer parte do mundo da cultura. O Colégio Menino Jesus tem um grande apreço por tudo isso. Nós que somos artistas temos que ajudar a preservar essa história", declara a mestra da cultura popular de Canindé, Dina Maria Martins, presente em todos os eventos culturais da Região.

Outro que elogia a postura da direção da instituição em manter viva essa tradição é o secretário de Turismo de Canindé, Plínio Gomes. "Vejo no esforço e dedicação do Romeu Rocha e da Joane de Oliveira a injeção para que não deixemos que uma história contada de norte a sul e de leste a oeste do Brasil caia no esquecimento. Precisamos participar e contribuir para que tudo isso tenha realmente o valor merecido", ressalta o secretário.

Frei Joãozinho Sanning, um franciscano apaixonado pelo folclore, também esteve presente a festa. De acordo com ele, resgatar nossos valores é resgatar vidas. "Essa tradição passa de pai para filho e é assim que vai sobrevivendo", fala.

Tradição
"Conhecer as nossas tradições, as nossas crendices populares e conhecer nossas origens é fazer folclore"

Romeu rocha de oliveiraDiretor do Colégio Menino Jesus
"O folclore no Brasil é riquíssimo. Toda essa formação contribui para a manifestação de um povo versátil e alegre"

Joane Laurêncio de OliveiraDiretora do Colégio Menino Jesus
Cordelistas são homenageados durante evento
 As comemorações folclóricas, em Canindé, também abrem espaço para os artistas que trabalham com literatura de cordel, uma prática nordestina

O folclore é a manifestação de uma cultura, dos costumes e tradições de um povo, expressos de diferentes maneiras, seja oral, escrita ou encenada
Canindé Uma categoria que tem contribuído para a preservação da nossa cultura é a de cordelistas, pessoas que aproveitam os momentos de destaque na vida do País e transformam em versos rimados e metrificados os fatos acontecidos. Em Canindé, Pedro Paulo Paulino, Jota Batista, Gonzaga Vieira, Arievaldo Lima, Natan Marreiro, entre outros, formam o leque daqueles transformam o quase nada em verso e poesia.

A literatura de cordel é uma arte complexa, pois, além da criatividade inata, trata resumidamente da relação da Literatura com as outras artes. Estes profissionais fazem a interação com o movimento das ideias, dos acontecimentos sociais, culturais e da história, sem omitir os fatores autônomos e internos que compõem o conjunto de teoria, trocando uma fronteira admitida apenas na discussão crítica.

Real e cômico
"O dom desses profissionais é inerente aos próprios, fixando o conflito entre o real e o cômico e, assim, levando o leitor ao êxtase. A literatura de cordel é uma prática popular nordestina que chamou a atenção de moradores do Sul e Sudeste do País, sendo tema de trabalhos científicos que buscam uma explicação empírica para tamanho dom", salienta Joane Laurênio de Oliveira, diretor do Colégio Menino Jesus.

Para o poeta Pedro Paulo Paulino, o Dia do Folclore, em Canindé, é uma forma de valorizar as histórias e personagens do folclore brasileiro. Dessa forma, a cultura popular ganhou mais importância no mundo cultural, passando a ser preservada e transmitida de geração para geração.

"Os jovens fazem pesquisas, trabalhos e apresentações, destacando os contos folclóricos e seus principais personagens. É o momento de contarmos e ouvirmos as histórias do saci-pererê, mula sem cabeça, curupira, boto e o , boitatá. O folclore é a manifestação de uma cultura, dos costumes e tradições de um povo, expressos de diversas maneiras. Oralmente, por escrito ou encenados, embora muitas vezes o termo folclore seja atribuído apenas à literatura oral. Todos os povos têm folclore", ressalta Pedro Paulo Paulino.

A festa organizada por Romeu Rocha de Oliveira e Joane Laurênio de Oliveira, presta homenagem a diversos segmentos da cultura popular que, ao longo dos tempos, se destacam pelo seu trabalho de valorização do nosso folclore.

Neste ano, eles foram homenageados pela Associação dos Vaqueiros e Boiadeiros dos Sertões de Canindé por ocasião da passagem do Dia do Vaqueiro, que é comemorado oficialmente no dia 22 de agosto.

Homenagens
A dupla recebeu das mãos do rei e rainha mirim dos vaqueiros, Caio Martins e Júlia Camile, uma camisa com o símbolo da Associação e uma placa feita exclusivamente para celebrar a data. Na opinião do presidente da Associação dos Vaqueiros de Canindé, José Curdulino Filho, muitas vezes é preciso estudar o folclore para verdadeiramente entender sua história. Através do folclore, o homem expressa suas fantasias, seus medos, os melhores e piores desejos, de justiça e de vingança. Às vezes, apenas como forma de escapar daquilo que não consegue explicar.

"As histórias são diferentes, mas o imaginário dos povos já provou ser muito parecido. Os contos folclóricos, por exemplo, são narrativas em prosa e ficção. As pessoas gostam deles por causa da fantasia. Em algumas culturas, trazem uma lição moral, como é o caso do vaqueiro que adquiriu grande respeito do povo pela sua maneira de se comportar", afirmou o presidente.

Para o poeta Pedro Paulo Paulino, em Canindé, o Dia do Folclore valoriza as histórias e os personagens do folclore brasileiro

O evento presta homenagens a diversos segmentos da cultura popular, que se destacam por valorizar a tradição ao longo dos tempos

ANTONIO CARLOS ALVES
COLABORADOR
Mais informações:
Colégio Menino Jesus Rua: Raimundo da Costa Ribeiro - número: 2130
Centro de Canindé

Telefone: (85) 3343.0277

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