domingo, 6 de dezembro de 2015

Ceará faz primeiro transplante de aplasia de medula no HUWC

Na Região Nordeste, o procedimento já tinha sido realizado nas cidades de Natal (RN) e Recife (PE)
O primeiro transplante de aplasia de medula foi realizado no Ceará, na última terça-feira (1º). O procedimento aconteceu no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), em parceria com o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce). "Sem o Hemocentro não aconteceria o transplante", destacou Fernando Barroso, chefe de equipe de transplante de medula óssea do Hemoce e do HUWC. Segundo ele, a equipe com 40 profissionais foi treinada para esse tipo de procedimento.
Após a operação, a paciente, 30 anos, mãe de duas filhas e que mora no Interior do Estado encontra-se em observação e passa bem. A doadora foi sua irmã. "Quando isso não é possível, recorremos ao banco de doadores de medula óssea em busca de material que seja compatível", diz o médico, que explica a doença em detalhes.
"A aplasia é uma falência medular. Para quem não sabe, a medula é responsável pela produção de células sanguíneas, das hemácias, das plaquetas. Deixando de existir, se não for tratada, o individuo acaba morrendo", relata.
O médico destaca que a aplasia, que pode ser do tipo congênita ou adquirida, é uma doença grave. A aplasia adquirida é geralmente aquela causada pela utilização de certos medicamentos (como o cloranfenicol) ou drogas ilícitas. "Pessoas que trabalham ou consomem agrotóxicos também estão vulneráveis a esta situação. Já a congênita é aquela que ocorre devido a um fator genético".
Os principais sintomas dessa doença são: anemia (palidez), devido ao baixo número de hemácias; infecções contínuas, ocasionadas pelo baixo número de leucócitos; e sangramento de mucosas, em consequência do baixo número de plaquetas.
O diagnóstico é feito através de um hemograma. Em termos de transplante, a coleta de sangue é realizada diretamente na medula óssea do doador. "Nesta primeira paciente, chegamos atirar 900ml de medula óssea. É uma quantidade bem razoável, que levou em conta o peso da doadora e da receptora".
Logo que surgirem os sintomas, o paciente deve fazer o exame de sangue. Se for constatada anemia, é marcada consulta com o especialista. "Vamos investigar a causa. Pode ser a falta de ferro e vitamina. Porém, se for detectado que ele tem uma anemia aplástica, aí começa o processo de procurar um doador compatível. Achando-o, faz-se o transplante".
Condições clínicas
Fernando Barroso relata que esse transplante é mais comum no Sudeste. "Na região Nordeste, este ano, já tivemos casos em Recife(PE) e Natal (RN) e agora em Fortaleza". Barroso ressalta que as operações não foram realizadas antes porque os pacientes não tinham condições clinicas para o procedimento. Durante os sete anos em que está no Hemoce, o médico informa que já foi realizado mais de 200 transplantes de medula óssea.
O transplante de aplasia dura em média mais ou menos quatro horas. "Isso depende da quantidade de células que você tem que coletar". Conforme Barroso, o Hemoce faz transplante de mieloma, linfomas, tumores de células germinativas, leucemias, falências naturais, entres outros.
Fique por dentro
Requisitos para ser doador de sangue e medula
O sangue doado ao Hemoce é utilizado em transfusões, cirurgias, no tratamento de pacientes com câncer e nos atendimentos de urgência e emergência em todo o Ceará. Para ser um doador de sangue é preciso estar saudável, bem alimentado, ter mais de 50kg, ter entre 16 a 69 anos de idade e apresentar um documento oficial e original com foto. Menores de 18 anos precisam apresentar o termo de consentimento do responsável. No caso da doação de medula óssea, o doador tem que se cadastrar em uma das unidades do hemocentro, ter entre 18 e 55 anos, não ter tido câncer, além de apresentar identidade e comprovante de renda. É necessário colher uma amostra de sangue e preencher a ficha cadastral. Todos os dados vão para o registro nacional do Ministério da Saúde, o REDOME (Registro de Doadores de Medula).

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