terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Chefe de bando interestadual é capturado pela Polícia Civil

Homem financiava roubos a banco e ordenou ataque a uma Delegacia e Batalhão da PM no mês passado
Movimentar aproximadamente 200 quilos de cocaína por mês, ordenar ataques contra a Polícia, patrocinar roubos a instituições financeiras, extorquir agentes da Lei, exigir mortes. A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) acredita que todas estas ações foram desempenhadas por um homem, preso no último fim de semana em Fortaleza. Ele é apontado como sendo um dos principais traficantes de entorpecentes do Estado, comandando uma organização criminosa interestadual que atua no Nordeste e no Sudeste do País. Definido como 'temido', o homem foi capturado naquela que, para a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), foi a principal operação realizada em todo o ano de 2015.
O delegado titular da DRF, Raphael Vilarinho, não escondia a satisfação. Foram dois meses investigando a organização criminosa até conseguir localizar aquele que seria o responsável por adquirir armas de grosso calibre e viabilizar a entrada de drogas no Estado. Francisco Miguel Sales da Silva, o 'Miguel Oião', 33, seria o 'patrão' do grupo criminoso interestadual.
"Ele é chefe de uma das organizações criminosas mais bem articuladas do Estado em termos de capacidade logística e de dinheiro para financiamento das ações. Eles financiam ataques a instituições financeiras. O grupo que ele comanda tem diversos armamentos para assaltos a banco. E aquilo que a gente sempre fala: o dinheiro de assaltos vai para o tráfico. Ele abastecia o Estado com mais de 200 kg de cocaína por mês. Ele era o homem do dinheiro, não mete a mão em droga, tem homens para fazer isso. Já vínhamos acompanhando ele há dois meses, no intuito de prendê-lo em flagrante com a droga. Mas como ele não toca em droga, não conseguimos. Porém, obtivemos indícios de que ele é o financiador e, por isso, ele foi preso. Também por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito", afirmou.
Conforme os investigadores, 'Miguel Oião' foi abordado por volta das 14h do último sábado (5) no bairro Conjunto Esperança, quando trafegava em um veículo Ford Fusion. Os policiais seguiram até o apartamento do suspeito, na Avenida Godofredo Maciel, bairro Maraponga. No endereço, foram encontradas uma pistola calibre 380 com numeração raspada, 12 projéteis, uma jaqueta camuflada e aparelhos celulares.
Escritório
Ainda chamou a atenção da Polícia a descoberta de um 'escritório de contabilidade' em um dos cômodos do apartamento. De acordo com o delegado Diego Barreto, também da DRF, foram encontrados e apreendidos diversos documentos que servem de indícios para ligar 'Miguel Oião' a outros criminosos.
"Na casa dele foram apreendidos diversos documentos de contabilidade do tráfico de entorpecentes. Inclusive a escrita é bem específica: estoque de cocaína, estoque de skunk, devendo tanto a fulano, tanto a cicrano. Não vamos divulgar este material pois dele vão sair muitas prisões. Estamos trabalhando no intuito de capturar o armamento da quadrilha, utilizado para assaltos grandes. E naturalmente, em parceria com a Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD), vamos buscar capturar a droga dele. Entramos em contato também com a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), pois ele naturalmente manda executar diversas pessoas na disputa por território", explicou Barreto.
O homem preso pela DRF apresentava-se como empresário. Ele é proprietário de uma empresa de compra e venda de veículos. No entanto, conforme a Polícia, o estabelecimento é utilizado para lavar o dinheiro do crime. "A droga é trazida da Bolívia e chega em caminhões cegonha, dentro dos carros para a empresa, que serve para a associação criminosa realizar os negócios", disse Vilarinho.
Os investigadores afirmaram categoricamente que Francisco Miguel Sales da Silva possui ligações com o paulista Luís Fabiano Ribeiro Brito, o 'Baixinho', preso no último dia 16, no bairro Parangaba, suspeito de participação nos ataques contra o prédio da 3ª Cia do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM), no bairro Montese. De acordo com o delegado Raphael Vilarinho, 'Miguel Oião' teria ordenado o atentado contra o Destacamento Militar além do incêndio a uma viatura no 8º DP (José Walter), ocorridos na noite de 15 de novembro.
"Ele tem ligações com os ataques à Delegacia e ao Batalhão. Ele foi o mandante. Tinha como objetivo implantar o terror, intimidar a Polícia. Ele procura intimidar o policial que chega perto dele", disse Vilarinho.
A reportagem apurou que 'Miguel Oião' é temido na região da Maraponga, inclusive, pela própria Polícia. Fontes afirmaram que era costumeiro ao homem oferecer dinheiro e ameaçar policiais e parentes para evitar que fosse investigado ou abordado.
Francisco Miguel já respondia por roubo, associação criminosa e porte ilegal de arma de fogo. Agora, responderá por tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de arma de fogo uso restrito.
Em alerta
Durante as investigações, a equipe da DRF descobriu que o grupo criminoso chefiado por 'Miguel Oião' planejava um grande roubo no Interior do Estado nos próximos dias. Esta descoberta fez os investigadores apressarem a abordagem ao suspeito, tendo como objetivo evitar tal ação criminosa.
"Não sabíamos exatamente o que era essa ação, e ainda não sabemos. Mas para evitar esse assalto, resolvemos abordá-lo. Temos equipes ainda investigando no local onde o ataque deveria ocorrer", explicou Vilarinho.

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