quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Probabilidade de chuva 70% abaixo da média

Fortaleza As chuvas que surpreenderam no mês passado e voltaram a cair em regiões isoladas do Estado não são suficientes para animar o cearense. O quadro de seca para este ano teve um prognóstico ainda mais preocupante para os próximos três meses, conforme informou, ontem, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Para março, abril e maio, há 70% de probabilidade que fiquem abaixo da média histórica; 25% dentro da média; e apenas 5% acima da média. O anúncio foi feito no auditório do Banco do Brasil, em Fortaleza, durante a primeira reunião de 2016 do Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense (Agropacto), promoção da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec).
O presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, disse que a probabilidade do quinto ano de seca decorre, ainda, da forte influência do fenômeno El Niño nas águas do Oceano Pacífico e mais o fato de que o Oceano Atlântico não apresenta quadro favorável para impactar no próximo trimestre, onde há, historicamente, maiores precipitações como consequência do ingresso da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).
Eduardo Martins lembrou que os efeitos do El Niño ocorrem de forma ainda mais negativa pela terceira vez, desde quando se passou a monitorá-lo. Os anos anteriores foram entre 1997 e 1998, e 1982 e 1983. Com isso, a exemplo do que foi observado há um mês, a intensidade elevada do fenômeno diminui as chances de precipitações mais regulares no Ceará.
Já em fevereiro, destacou que as precipitações estão abaixo da média histórica. Apesar de o mês não ter encerrado, o aporte de água para os reservatórios do Estado, principalmente o Castanhão, que vem abastecendo Fortaleza e a sua Região Metropolitana, foi praticamente neutro. Ainda ontem, as chuvas voltaram a cair em 54 dos 184 municípios, sendo as maiores na Região Jaguaribana: Russas (95mm), Morada Nova (72mm) e Limoeiro do Norte (57mm).
No encontro do Agropacto, o secretário executivo da Agricultura, Pesca e Aquicultura (Seapa), Euvaldo Bringel lembrou que o Estado está tomando medidas em relação à preservação ao máximo das reservas do Castanhão, diminuindo as outorgas e a vazão. Mesmo reconhecendo que o setor produtivo vai sofrer grandes perdas, ressaltou que, sem o monitoramento, o Castanhão poderia se encontrar em situação bem pior.
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Preocupação
O presidente da Faec e coordenador do Agropacto, Flávio Saboya, manifestou sua preocupação com as informações repassadas pela Funceme. Para ele, o quadro é preocupante e, se for confirmado este prognóstico, as reservas hídricas tendem ao colapso. Saboya acredita que as dificuldades atingem, fortemente, a pecuária, a agricultura irrigada e a criação de camarão. Na região de Jaguaruana, há a estimativa de que os prejuízos atinjam cerca de 90 produtores, que geram mais de 500 empregos, conforme informou o próprio presidente da Câmara Setorial do Camarão, Cristiano Peixoto.
Saboya lembrou que a agricultura familiar é protegida por seguro-safra e programas sociais, enquanto o médio produtor ainda não conta com o Seguro-Seca, "proposta que estamos defendendo há três anos", disse. Ele reconhece que a água é prioridade para consumo humano, mas os animais precisam também beber, devendo contar com medidas emergenciais, enquanto se aguarda as águas da Transposição do Rio São Francisco.
O produtor de camarão José Quintão estima que os prejuízos para a carcinicultura deverão chegar a 20% até o fim deste ano. Ele destacou que a queda na produção decorreu da limitação de água proveniente do Açude Castanhão, o que deverá prosseguir pelos próximos meses.
O diretor da Ceasa de Maracanaú, José Maria Pimenta, ainda acredita numa estação chuvosa dentro ou acima da média. Ele tem como parâmetro o fato histórico de que nunca houve, na região, cinco anos de seca, e que há chances de erro no prognóstico.

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