sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

UM CRIME AMBIENTAL: PRINCIPAL RIO DE CANINDÉ ESTÁ AGONIZANDO.

GRANDE PARTE DE ESGOTOS DAS RESIDÊNCIAS ÀS MARGENS DO RIO CORRE PARA O LEITO.
A Campanha da Fraternidade de 2016 que este ano, traz como tema e lema dois aspectos de uma questão, a defesa da vida: de um lado o cuidado com a criação, de outro, a luta pela justiça, ‘’Casa comum, nossa responsabilidade, quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual o riacho que não seca, onde o objetivo geral, é assegurar o direito de saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa comum, torna-se um ponto de partida para uma nova realidade do rio Canindé, que leva o nome do Município e estar agonizando.

Os sinais de degradação ambiental são cada vez mais frequentes na área urbana da cidade. O Rio que nomeia o Município, por exemplo, está sucumbindo diante do lixo, esgotos jogados em seu leito, ocupação indiscriminada das áreas de encosta e destruição da mata ciliar. Embora todas as agressões aconteçam a olhos vistos, falta compromisso por parte das autoridades ambientais que assegure a defesa do manancial que faz parte da história da cidade de Canindé.

Constantemente, moradores que residem na área de encosta jogam lixo no leito do Rio. Além disso, grande parte da rede de esgoto das residências localizadas às margens do manancial corre para dentro do leito. Já os agricultores, antecipando o plantio da quadra chuvosa, promovem queimadas na área.

As agressões ambientais contra o Rio Canindé tiveram início no ano de 1975, com a ocupação desornada da margem direita. As primeiras casas foram sendo construídas e a Prefeitura Municipal nada fez para conter a invasão. Depois disso, centenas de pessoas passaram a ocupar a área. Hoje, famílias permanecem no local, e as autoridades públicas continuam sem nada fazer em defesa do Rio.

O Rio foi à fonte de alimentação para os nativos — índios Kanindé — que tiravam de suas águas a sobrevivência. Nos últimos anos, embora padecendo, ainda serviu de atração turística para a cidade e foi fonte de alimentação e renda para as famílias ribeirinhas.

A história do Rio Canindé é de muitas agressões. A poluição já começa no seu nascedouro, na Serra da Mariana, em Itatira. Os crimes ambientais contra o manancial se multiplicam ao logo de sua extensão. Ao chegar a Canindé, a sequência de crimes contra a natureza aumenta, deixando o manancial em estágio terminal.


Já agonizando, segue do município de Canindé para Caridade, onde a situação não é diferente. O leito sofre com a retirada de areia, plantio de capim e uso indiscriminado de agrotóxico, contaminando o lençol freático. Ao chegar ao Município de Paramoti, ele recebe o seu “tiro de misericórdia”: carradas de areia são retiradas de seu leito indiscriminadamente, desestabilizando o ecossistema. “A situação é tão crítica que, além da flora, a fauna desapareceu por completo. Os animais que tinham o Rio como habitat natural desapareceram”, conta a vereadora Zeleide Araújo, ressaltando que o rio é o maior em extensão do Sertão Central. Nasce em Itatira e corta Canindé, Caridade, Paramoti e deságua no açude Pereira de Miranda, em Pentecoste.

“O Rio Canindé não é” nosso depósito, onde colocamos tudo aquilo que não precisamos lixos, entulhos, dejetos e outros resíduos que aos poucos vão acabando com a vida do rio e, consequentemente, com a nossa vida e da população e daqueles seres vivos que dependem do rio’’, alerta a Vereadora Zeleide Araújo, autora do Projeto de Lei que institui o dia 20 de maio, como a data da Consciência Ecológica no Município.

Hoje é lei municipal de nº 2.251/2011 de 16 de maio de 2011, assinada pelo prefeito à época Cláudio Pessoa, que garante medidas em defesa do rio.
“As agressões ao meio ambiente, a fome, a miséria, o sofrimento, em geral, são sempre causados por ações humanas e, muitas delas legais, de modo que matar, devastar, poluir, desrespeitar a dignidade e os direitos são considerados legais´´, enfatiza a vereadora.

De acordo com a parlamentar, o objetivo natural é sensibilizar a população para a preservação do Rio Canindé, principalmente no perímetro urbano, que tem sido tratado como depósito de lixo e esgoto. Segundo ela, o rio representa um patrimônio ambiental para o Município, como também para a população que pertence à bacia do Vale do Curu.


Fotos e texto de Antônio Carlos Alves

Nenhum comentário:

Postagem em destaque

Sindicato Rural realiza eleição para Nova Diretoria no domingo (20)

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canindé realizará no próximo domingo (20) eleição para a escolha da nova diretoria.  Duas chapas...