segunda-feira, 19 de junho de 2017

Capital registra 24 roubos ou furtos de veículos por dia

A violência que assusta o Estado não se apresenta apenas no número de homicídios, que explodiu neste ano. A sensação de insegurança, constante na população, também é reflexo da quantidade de roubos e furtos, apesar da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) apresentar queda nos índices, nos últimos meses. Um bem muito visado pelos criminosos tem sido o automóvel. Somente de janeiro a maio deste ano, 3.645 veículos foram roubados ou furtados em Fortaleza, o que representa uma média diária de 24 registros, de acordo com dados da Pasta.
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Os números de todo o Ceará foram solicitados pela reportagem, mas não foram repassados pela SSPDS. Em igual período de 2016, a Polícia registrou ainda mais roubos e furtos de veículos em Fortaleza, somando 3.894, ou seja, 25 por dia. A queda de ocorrências de um ano para o outro foi de 6,39%. O ano de 2016 terminou com 9.235 roubos e furtos de veículos na Capital, o que manteve a média diária de 25 ocorrências.
O titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC), Fernando Cavalcante, atribui o alto número de roubos e furtos de veículos à atuação de quadrilhas especializadas. Segundo Cavalcante, esses grupos são bem organizados internamente e se articulam com outros bandos, aqui no Ceará, que atuam em outros tipos de crimes.
Conforme o investigador, as quadrilhas especializadas são divididas em membros "que vão para pista", que é a denominação dada, no mundo do crime, aos assaltantes que tomam os veículos; os receptadores, que encomendam os automóveis e lideram as ações do grupo; e os auxiliares do receptador, que participam da clonagem, elaboração de documento falso e adulteração de chassi.
"O pessoal que toma o veículo é o que recebe menos dinheiro. O receptador paga mil e poucos reais por um carro novo. A obrigação do assaltante é só tomar o veículo. Tomou, recebeu o dinheiro e pronto. Já o receptador é uma pessoa articulada para fazer documentação, clonagem, essas coisas", explicou.
Destinos
Cavalcante afirma que a maioria dos veículos roubados e furtados são clonados. "Se roubam uma Toyota Hilux, de cor prata, ano 2017, os criminosos vão na rua e procuram o mesmo modelo, com placa daquele mesmo ano, mesma cor, para tentar fazer a documentação. Nesse caso, vão ter duas vítimas, a que teve o veículo roubado e a que teve a sua placa clonada. Com a placa, eles conseguem a numeração do chassi, montam a documentação e fazem a clonagem", detalha Cavalcante.
As quadrilhas de roubo e furto de automóveis ainda se ligam a outros criminosos. Uma das possibilidades é o veículo se tornar moeda de troca. Segundo Fernando Cavalcante, carros e motos clonados são cedidos a bandos que atuam em ataques a instituições financeiras, tráfico de drogas e homicídios. As recompensas são dinheiro, drogas ou armas.
Esse esquema era praticado pela quadrilha liderada por Francisco Rafael Alves da Silva, o 'Rafael Xilito', que estava preso na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto (CPPL III), no Complexo Penitenciário de Itaitinga II, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), até o último dia 21 de maio, quando fugiu do presídio. A unidade concentra detentos aliados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Mesmo de dentro da carceragem, 'Rafael Xilito' comandava um dos maiores grupos criminosos especializados em roubos de veículos no Ceará, que enviava os automóveis clonados para diversos estados brasileiros e até para o Paraguai, em troca de outros produtos ilícitos. Conforme Cavalcante, o envio desses veículos para outras regiões dificulta a identificação da clonagem e, consequentemente, o trabalho da Polícia.
Outro destino dado aos veículos roubados é o desmanche. Nesse caso, existe um segundo receptador, um 'sucateiro', que compra o automóvel para desmanchá-lo e obtém dinheiro na venda das peças.
Uma das principais quadrilhas desarticuladas neste ano, que ficou caracterizada pela atuação de Leandro Oliveira Leite, o 'Gordinho do Test Drive', destinava os veículos furtados a uma sucata, localizada na Avenida José Bastos, em Fortaleza. O 'Gordinho do Test Drive' procurava concessionárias, revendedoras e vendedores particulares para testar veículos. Durante o teste, o criminoso dizia que o veículo estava com problemas e o vendedor ou funcionário da empresa descia para verificar. Nesse momento, ele fugia e furtava o veículo. Leandro foi preso em 18 de fevereiro deste ano.
De acordo com Fernando Cavalcante, a DRFVC já prendeu cerca de 90 suspeitos de integrarem quadrilhas de roubos e furtos de veículos e realizou mais de 200 indiciamentos dos suspeitos, neste ano de 2017. "Apesar do número de detenções, as quadrilhas se renovam ao cooptar outras pessoas, inclusive sem antecedentes criminais", afirmou o delegado. 

Fonte: DN

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