segunda-feira, 3 de julho de 2017

População não conhece o 'Botão do Pânico'

Um equipamento que passa despercebido aos olhos dos transeuntes. "Nunca vi"; "Não sei para que serve"; "Deve ser da Polícia". Apesar do investimento de R$ 6,5 milhões na instalação do "Botão do Pânico", estes fragmentos revelam que a utilidade do alarme sonoro ainda gera dúvida. À época, em dezembro de 2011, o montante pago com recursos da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) incluía um sistema de vigilância eletrônica em 86 cruzamentos da Capital. Em tempo, o número saltou para 131, mas 59 deles estão em manutenção.
Quando criado, ainda na gestão do ex-governador Cid Gomes, o serviço de videomonitoramento foi estruturado como uma política pública capaz de identificar, em tempo real, situações de risco por ocasião da violência urbana. Por meio de câmeras instaladas no ponto mais alto de postes em vias com tráfego intenso de pessoas, a Polícia Militar se deslocava ao local da ocorrência para o atendimento de assaltos, homicídios, agressões e até roubos de veículos, mediante chamado registrado no Circuito Fechado de TV.
Integrado às câmeras, botões vermelhos com disparos de emergência permitem ao cidadão, com apenas um toque, chamar a Polícia Militar, uma vez que o sistema capta o áudio, e o alarme em forma de sirene chega à central. Conforme aponta a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), as equipes de patrulhamento são encaminhadas para atendimento da ocorrência entre 8 e 12 minutos após o "Botão do Pânico" ser acionado.
Desde então, o serviço segue em execução com 131 equipamentos sendo operados 24 horas por dia, nos sete dias da semana. Contudo, segundo informações da SSPDS, 59 deles "estão em manutenção programada para a realização de atualização do sistema que capta o áudio do usuário e o transmite à Ciops", reforçando que o sistema, quando em pleno funcionamento, "auxilia o trabalho preventivo onde são flagradas situações de emergência". A reportagem do Diário do Nordeste questionou a pasta sobre o prazo para retomada das câmeras e dos botões que estão desligados, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta. Próximo a vias, ao lado de faixas de pedestres. O fato é que o "Botão do Pânico" está ali, muito embora não receba tanta atenção ou seja desconhecido por outros.
No cruzamento da Avenida Beira-Mar com Rua Oswaldo Cruz, ambiente de trabalho do ambulante Darlison Oliveira, 26, há instalado um equipamento que ele diz desconhecer a utilidade. "Acho que deve ser da Polícia ou é bem para chamar a segurança, talvez, mas eu trabalho nesse mesmo ponto há 10 anos e nunca vi ninguém usar isso aí".
Em outro ponto, não muito distante, na Avenida Barão de Studart com Beira-Mar, a ferramenta parece se camuflar no poste, já que apresenta sinais de desgaste, pela exposição ao sol. Enquanto fazia a limpeza do entorno, o servidor Antônio Cláudio, 40, revelou que, apesar de ver o botão diariamente, não sabe em que situações deve usar. "Eu até já fiquei observando esse negócio, mas realmente não sei para que serve", declarou.
Segundo um mototaxista, de identidade não revelada, que trabalha próximo à Avenida Santos Dumont, onde tem o videomonitoramento, muitos cidadãos confundem o equipamento. "Às vezes, a pessoa aperta, mas se engana porque pensa que é o botão de pedestre", diz, opinando sobre a eficácia da ferramenta. "Eu acho que não serve de nada porque na hora que tem um assalto a gente faz é se esconder e não apertar o botão", pontua.
Pouco utilizado
O titular da SSPDS, André Costa, reconhece que o equipamento "vem sendo pouco utilizado", mas justifica que a baixa procura acontece por falta de informação do usuário: "Acho que mais pela desinformação da população que, talvez por não conhecer essa ferramenta, ela vem sendo pouco empregada. Se a população participar utilizando esse botão, a gente vai ter melhorias na segurança pública".
Por outro lado, o auxiliar de produção Leonardo Freitas, 32, garante que o "Botão do Pânico" funciona, já que permitiu um desfecho positivo ao fim de uma ocorrência. "A única vez que eu usei foi durante um assalto na Avenida 13 de Maio. Após uns cinco ou dez minutos, a viatura chegou bem rápido no local antes de acontecer algo pior". (Colaborou Felipe Mesquita)

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